Oito mãos certamente são demais
para um só poema...ou não?
Se embaraçará
em tantas almas
a minha mão???
Embaraço
Ou só um traço
Nessa grande confusão
Há deleite, gozo fácil
Sentimento em profusão
Qual verso me invade agora
O que sai da minha ou
das outras mãos?
Já nem sei
se o que sai de mim
vem de mim ou vem de outro
sejam elas de quem for,
essas linhas transversas,
causam-me conforto!
Fecho os olhos e misturo todos os versos
Assim, já não se sabe mais
Quais mãos escreveram o quê.
Dessa forma, para todos
Vergonha e glória serão iguais
José Rosa (ZeRo S/A), Decca, Moacir Caetano, Ady Cavalcante
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4 comentários:
Me parece, misturas de mentes diferentes, não sei! Talvez eu possa estar enganada...
Oito mãos trazem a inevitável mão boba, que escorrega da cabeça aos pés da poesia.
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Ah! Lembrei de uma minha, que dialoga com esta:
A poesia de suas mãos, de minha boca e dos pensamentos de um de nós ou dos dois
Qual a utilidade das minhas mãos?
Se eu não fosse um dos desistentes,
as deixaria cair em vão.
Mas por ser, isso nem torna-se preocupação.
Se as mãos dela estão soltas,
as duas – esquerda sobre coxa
esquerda, direita sobre coxa
direita – por que levantar as minhas?
Já não preciso de minhas mãos.
Vejo, desistente e cansado, caírem ao chão.
Fico olhando disperso, ambas.
Tão disperso estava eu que me abaixei para pegá-las.
No entanto, sem mãos como as pegaria?
Fiquei sem poder significar aquele instante.
Olhei para ela, continuava do mesmo jeito,
mão esquerda, mão direita, vacilantes.
Ou seja, não tenho mais minhas mãos
e as mãos dela tornaram-se inativas.
- Recolha minhas mãos, Amada!
Ela não me ouve, não se ouve, não se sabe.
Entro assim em um drama.
Sinto uma incessante e sequenciosa vontade de poetizar.
Mas, com que mãos?
A angústia torna-me ainda mais criativo, mas... as mãos?
Grito a ela, um grito rouco, mas... ela?
Até que decido agarrar as mãos dela com minha boca.
E nessa cena trágica, com todo meu frágil esforço,
ela escreve minha poesia.
Minha poesia fala
das desistências, das minhas, das dela, mãos.
Fala de mim, fala dela...
Começo a notar que as palavras não eram as que eu escrevia.
Percebo então que é ela quem escreve.
São palavras mudas, invisíveis, intraduzíveis.
Mas eu as vejo e traduzo no rastro de tempo que se mostram.
A poesia é minha ou é dela, então?
Minha boca na sua mão,
sua mão sobre o papel.
Meus pensamentos passam, em movimentos,
da minha boca às suas mãos... minha ou dela?
Mas o papel... as palavras são outras.
Me angustio ainda mais.
Entro assim no segundo drama.
Volto meus olhos ao rosto dela.
E de uma forma absurda, percebo-me, disperso
ao notar que ela já não estava lá.
Existia apenas as mãos dela.
Seu corpo estava inerte, caído junto as minhas mãos no chão.
De quem é a poesia, então?
Quem escreveu essa poesia?
Como estava sem poder fazer grandes reflexões,
larguei a poesia, dando ao poeta Vento que passeava por ali naquele instante.
Voltei a meu canto, sem me saber.
Fiquei a observá-la, sem se saber.
Nada parecia tão importante,
nem as milhares de pessoas circundantes... também, representantes.
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Sem querer ocupar muito espaço.... risos...
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Acompanhe: http://os-desconhecidos.blogspot.com/
os desconhecidos
Uma coletânea de minicontos que se interligam ou um romance que se forma em seus fragmentos. As personagens que percorrem o mundo em solilóquios e de repente se esbarram em alguém ou entra em contato social de alguma forma com um outro. Forma-se assim uma rede de desconhecidos que mantém vínculos no encontro cotidiano, ordinário, momentâneo. O leitor, como se acompanhasse uma prova de revezamento, é levado pelas curvas dos desconhecidos. De fulano para beltrano, de beltrano para ciclano e tal...
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Abzzzz
Com essas mãos juntas... é até covardia!! lindo poema...
Oi, Zero S/A!
Blog de 7 Cabeças está comemorando 3 anos com a realização de um concurso e vamos presentear nossos amigos-leitores com muita poesia!
Esperamos você em nossa festa! ;)
Concurso B7C
Abraços,
B7C
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