sexta-feira, 12 de junho de 2009

Oito Mãos

Oito mãos certamente são demais
para um só poema...ou não?
Se embaraçará
em tantas almas
a minha mão???

Embaraço
Ou só um traço
Nessa grande confusão
Há deleite, gozo fácil
Sentimento em profusão
Qual verso me invade agora
O que sai da minha ou
das outras mãos?

Já nem sei
se o que sai de mim
vem de mim ou vem de outro
sejam elas de quem for,
essas linhas transversas,
causam-me conforto!

Fecho os olhos e misturo todos os versos
Assim, já não se sabe mais
Quais mãos escreveram o quê.
Dessa forma, para todos
Vergonha e glória serão iguais

José Rosa (ZeRo S/A), Decca, Moacir Caetano, Ady Cavalcante

4 comentários:

Daiany Cristina disse...

Me parece, misturas de mentes diferentes, não sei! Talvez eu possa estar enganada...

Ramon Alcântara disse...

Oito mãos trazem a inevitável mão boba, que escorrega da cabeça aos pés da poesia.

_____

Ah! Lembrei de uma minha, que dialoga com esta:

A poesia de suas mãos, de minha boca e dos pensamentos de um de nós ou dos dois

Qual a utilidade das minhas mãos?
Se eu não fosse um dos desistentes,
as deixaria cair em vão.
Mas por ser, isso nem torna-se preocupação.

Se as mãos dela estão soltas,
as duas – esquerda sobre coxa
esquerda, direita sobre coxa
direita – por que levantar as minhas?

Já não preciso de minhas mãos.
Vejo, desistente e cansado, caírem ao chão.
Fico olhando disperso, ambas.
Tão disperso estava eu que me abaixei para pegá-las.

No entanto, sem mãos como as pegaria?
Fiquei sem poder significar aquele instante.
Olhei para ela, continuava do mesmo jeito,
mão esquerda, mão direita, vacilantes.

Ou seja, não tenho mais minhas mãos
e as mãos dela tornaram-se inativas.
- Recolha minhas mãos, Amada!
Ela não me ouve, não se ouve, não se sabe.

Entro assim em um drama.
Sinto uma incessante e sequenciosa vontade de poetizar.
Mas, com que mãos?
A angústia torna-me ainda mais criativo, mas... as mãos?

Grito a ela, um grito rouco, mas... ela?
Até que decido agarrar as mãos dela com minha boca.
E nessa cena trágica, com todo meu frágil esforço,
ela escreve minha poesia.

Minha poesia fala
das desistências, das minhas, das dela, mãos.
Fala de mim, fala dela...
Começo a notar que as palavras não eram as que eu escrevia.

Percebo então que é ela quem escreve.
São palavras mudas, invisíveis, intraduzíveis.
Mas eu as vejo e traduzo no rastro de tempo que se mostram.
A poesia é minha ou é dela, então?

Minha boca na sua mão,
sua mão sobre o papel.
Meus pensamentos passam, em movimentos,
da minha boca às suas mãos... minha ou dela?

Mas o papel... as palavras são outras.
Me angustio ainda mais.
Entro assim no segundo drama.
Volto meus olhos ao rosto dela.

E de uma forma absurda, percebo-me, disperso
ao notar que ela já não estava lá.
Existia apenas as mãos dela.
Seu corpo estava inerte, caído junto as minhas mãos no chão.

De quem é a poesia, então?
Quem escreveu essa poesia?
Como estava sem poder fazer grandes reflexões,
larguei a poesia, dando ao poeta Vento que passeava por ali naquele instante.

Voltei a meu canto, sem me saber.
Fiquei a observá-la, sem se saber.
Nada parecia tão importante,
nem as milhares de pessoas circundantes... também, representantes.

____

Sem querer ocupar muito espaço.... risos...

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Acompanhe: http://os-desconhecidos.blogspot.com/

os desconhecidos

Uma coletânea de minicontos que se interligam ou um romance que se forma em seus fragmentos. As personagens que percorrem o mundo em solilóquios e de repente se esbarram em alguém ou entra em contato social de alguma forma com um outro. Forma-se assim uma rede de desconhecidos que mantém vínculos no encontro cotidiano, ordinário, momentâneo. O leitor, como se acompanhasse uma prova de revezamento, é levado pelas curvas dos desconhecidos. De fulano para beltrano, de beltrano para ciclano e tal...

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Abzzzz

Sandra Regina de Souza disse...

Com essas mãos juntas... é até covardia!! lindo poema...

B7C disse...

Oi, Zero S/A!

Blog de 7 Cabeças está comemorando 3 anos com a realização de um concurso e vamos presentear nossos amigos-leitores com muita poesia!

Esperamos você em nossa festa! ;)

Concurso B7C

Abraços,
B7C