No dia posterior
A nossa noite de amor
Ela me ligou,
Dizendo que em sua boca
Ainda tinha o meu sabor.
Disse-me isso
Com um tom extremamente malicioso.
Sem sombra de dúvida
Ela, como nenhuma outra,
Sabe apreciar o meu gozo.
José Rosa (ZeRo S/A)
domingo, 11 de outubro de 2009
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Horários (1986)
Malditos horários
Controle da minha vida.
É hora do trabalho,
É hora de ir à missa.
É hora de dançar,
Acabou-se a música.
É hora de se alimentar,
Acabou-se a comida.
Quero descansar.
Não, agora é hora de trabalhar
Quero amar.
Não, agora é hora de lutar.
Quero pensar.
Não, agora é hora da novela...
Tic-tac, tic-tac
Tic-tac, tic-tac
Tic-tac, tic-tac
Controle da minha vida.
É hora do trabalho,
É hora de ir à missa.
É hora de dançar,
Acabou-se a música.
É hora de se alimentar,
Acabou-se a comida.
Quero descansar.
Não, agora é hora de trabalhar
Quero amar.
Não, agora é hora de lutar.
Quero pensar.
Não, agora é hora da novela...
Tic-tac, tic-tac
Tic-tac, tic-tac
Tic-tac, tic-tac
José Rosa (ZeRo S/A)
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Acordo
Nós poderíamos combinar
De um dia desses
Sentarmos para conversar
E então fazermos um acordo:
Por tua parte
Finda as mentiras que tu te crias
Para convencer-te
De que és feliz sozinha.
Do meu lado
Cesso minha covardia
E de uma vez por todas
Te confesso
Que minha vida
Sem ti é vazia.
José Rosa (ZeRo S/A)
De um dia desses
Sentarmos para conversar
E então fazermos um acordo:
Por tua parte
Finda as mentiras que tu te crias
Para convencer-te
De que és feliz sozinha.
Do meu lado
Cesso minha covardia
E de uma vez por todas
Te confesso
Que minha vida
Sem ti é vazia.
José Rosa (ZeRo S/A)
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Banquete
No banquete desta noite
Somos o prato principal
Me cheire
Me sugue
Me lamba
Me coma
Me engula
Sem moderação me aprecie.
E prometo a você
Que por inteiro
E com voraz apetite
Lhe devorarei.
José Rosa (ZeRo S/A)
Somos o prato principal
Me cheire
Me sugue
Me lamba
Me coma
Me engula
Sem moderação me aprecie.
E prometo a você
Que por inteiro
E com voraz apetite
Lhe devorarei.
José Rosa (ZeRo S/A)
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Incapaz
Incapaz, incapaz, incapaz...
É o que ouço da minha mente
Em um eco infinito.
Se quiser, minto.
Se quiser, finjo.
Mas não consigo.
Não mais acredito.
Não mais tenho fé.
Essa vida às vezes é tão sem graça.
Tão errada.
E só fui feliz quando errei.
Quando me desfiz
Da minha máscara virtuosa,
Da minha capa imaculada.
Quando enganei
Foi quando acreditaram em mim.
Quando digo que a amo
Ela só me olha.
Olha e não me vê
Ou vê e não crê.
A vida é bela,
Mas agora sou incapaz de contemplar sua beleza.
Agora sou a verdade que morre feto.
Abortada pela sua insensibilidade.
Jogada na lata de lixo.
Alimento para os mendigos
Que têm fome de amor.
Quem me ama, ama-me incorretamente.
Só com o coração.
Para amar é preciso muito mais...
Não se pode esquecer o corpo, a alma, a mente...
Mente quem diz que me ama.
Mente porque faria qualquer coisa para me ter.
Qualquer coisa para meter comigo.
Para eu meter consigo e ninguém mais.
Incapaz, incapaz, incapaz...
Queria ser capaz de acabar com esta minha incapacidade.
Incapacidade de ser capaz de acertar o alvo
Que muda a cada mira que faço
Laço que me prende na escuridão
Na falta de luz que é o saber.
Saber que o que vejo é miragem.
Não oásis.
Que vou morrer de sede
Porque a fonte de vida que são seus lábios,
Distante, muito distante dos meus está.
Incapaz, incapaz, incapaz...
De não deixar de reclamar do meu destino.
Que não é divino,
Porém está muito longe de ser maldito.
Maldito é o muro que me separa do seu corpo febril
Que me impede de matar quem me ofende
Ofensor que é gentalha
Que tem existência equivocada
E tenho a solução em minhas mãos.
Mas o ódio que ele me provoca, só a mim fere.
Minha educação me torna manso.
Indefeso diante desta gentalha.
Incapaz, incapaz, incapaz...
Incapacidade de odiar plenamente.
De amar plenamente.
E essa gentalha é incapaz de me ajudar.
Mostrem-me os caminhos do excesso.
Chega de pasmaceira.
José Rosa (ZeRo S/A)
É o que ouço da minha mente
Em um eco infinito.
Se quiser, minto.
Se quiser, finjo.
Mas não consigo.
Não mais acredito.
Não mais tenho fé.
Essa vida às vezes é tão sem graça.
Tão errada.
E só fui feliz quando errei.
Quando me desfiz
Da minha máscara virtuosa,
Da minha capa imaculada.
Quando enganei
Foi quando acreditaram em mim.
Quando digo que a amo
Ela só me olha.
Olha e não me vê
Ou vê e não crê.
A vida é bela,
Mas agora sou incapaz de contemplar sua beleza.
Agora sou a verdade que morre feto.
Abortada pela sua insensibilidade.
Jogada na lata de lixo.
Alimento para os mendigos
Que têm fome de amor.
Quem me ama, ama-me incorretamente.
Só com o coração.
Para amar é preciso muito mais...
Não se pode esquecer o corpo, a alma, a mente...
Mente quem diz que me ama.
Mente porque faria qualquer coisa para me ter.
Qualquer coisa para meter comigo.
Para eu meter consigo e ninguém mais.
Incapaz, incapaz, incapaz...
Queria ser capaz de acabar com esta minha incapacidade.
Incapacidade de ser capaz de acertar o alvo
Que muda a cada mira que faço
Laço que me prende na escuridão
Na falta de luz que é o saber.
Saber que o que vejo é miragem.
Não oásis.
Que vou morrer de sede
Porque a fonte de vida que são seus lábios,
Distante, muito distante dos meus está.
Incapaz, incapaz, incapaz...
De não deixar de reclamar do meu destino.
Que não é divino,
Porém está muito longe de ser maldito.
Maldito é o muro que me separa do seu corpo febril
Que me impede de matar quem me ofende
Ofensor que é gentalha
Que tem existência equivocada
E tenho a solução em minhas mãos.
Mas o ódio que ele me provoca, só a mim fere.
Minha educação me torna manso.
Indefeso diante desta gentalha.
Incapaz, incapaz, incapaz...
Incapacidade de odiar plenamente.
De amar plenamente.
E essa gentalha é incapaz de me ajudar.
Mostrem-me os caminhos do excesso.
Chega de pasmaceira.
José Rosa (ZeRo S/A)
terça-feira, 21 de julho de 2009
Uma História (Setembro/1987)
A boca está fechada
Só os olhos é que têm vida
Vida vivida em fotografias
Fotografias de corpos
Corpos provocantes
Corpos que desejam corpos
Corpos que se confundem com outros corpos
Corpos, apenas corpos.
Foi em um dia chuvoso
Que com um tiro na cabeça
Um rapaz apaixonado se suicidou.
Dormindo não se consegue sonhar
Quando acordado a realidade não se quer aceitar
Busca-se fotografias para esquecer
Sonha-se acordado para sobreviver
Na televisão se pode ver
O corpo ensanguentando
De um rapaz apaixonado
Não se tem certeza se ela é a garota certa
Seu corpo lhe provoca
O corpo e mais nada
Talvez ela seja a garota errada
Alguns jornais anunciam uma nova doença
Outros estão estampados
Com fotografias
Do corpo de um rapaz apaixonado
José Rosa (ZeRo S/A)
Só os olhos é que têm vida
Vida vivida em fotografias
Fotografias de corpos
Corpos provocantes
Corpos que desejam corpos
Corpos que se confundem com outros corpos
Corpos, apenas corpos.
Foi em um dia chuvoso
Que com um tiro na cabeça
Um rapaz apaixonado se suicidou.
Dormindo não se consegue sonhar
Quando acordado a realidade não se quer aceitar
Busca-se fotografias para esquecer
Sonha-se acordado para sobreviver
Na televisão se pode ver
O corpo ensanguentando
De um rapaz apaixonado
Não se tem certeza se ela é a garota certa
Seu corpo lhe provoca
O corpo e mais nada
Talvez ela seja a garota errada
Alguns jornais anunciam uma nova doença
Outros estão estampados
Com fotografias
Do corpo de um rapaz apaixonado
José Rosa (ZeRo S/A)
quinta-feira, 9 de julho de 2009
terça-feira, 30 de junho de 2009
Festa
Festa é gozo
Que começa com o convite
E finda
No derradeiro abraço de despedida.
José Rosa (ZeRo S/A)
Que começa com o convite
E finda
No derradeiro abraço de despedida.
José Rosa (ZeRo S/A)
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Oito Mãos
Oito mãos certamente são demais
para um só poema...ou não?
Se embaraçará
em tantas almas
a minha mão???
Embaraço
Ou só um traço
Nessa grande confusão
Há deleite, gozo fácil
Sentimento em profusão
Qual verso me invade agora
O que sai da minha ou
das outras mãos?
Já nem sei
se o que sai de mim
vem de mim ou vem de outro
sejam elas de quem for,
essas linhas transversas,
causam-me conforto!
Fecho os olhos e misturo todos os versos
Assim, já não se sabe mais
Quais mãos escreveram o quê.
Dessa forma, para todos
Vergonha e glória serão iguais
José Rosa (ZeRo S/A), Decca, Moacir Caetano, Ady Cavalcante
para um só poema...ou não?
Se embaraçará
em tantas almas
a minha mão???
Embaraço
Ou só um traço
Nessa grande confusão
Há deleite, gozo fácil
Sentimento em profusão
Qual verso me invade agora
O que sai da minha ou
das outras mãos?
Já nem sei
se o que sai de mim
vem de mim ou vem de outro
sejam elas de quem for,
essas linhas transversas,
causam-me conforto!
Fecho os olhos e misturo todos os versos
Assim, já não se sabe mais
Quais mãos escreveram o quê.
Dessa forma, para todos
Vergonha e glória serão iguais
José Rosa (ZeRo S/A), Decca, Moacir Caetano, Ady Cavalcante
terça-feira, 2 de junho de 2009
Ponto de Ônibus (Março/1988)
Fico parado
Fico à espera
E talvez alguém
Esteja a minha espera
Fico parado
Fico reclamando
E talvez alguém
Esteja de mim reclamando
Fico parado
Fico a observar
E talvez alguém
Esteja a me observar
Fico parado
Fico tentando entender
E talvez alguém
Esteja tentando me entender
José Rosa (ZeRo S/A)
Fico à espera
E talvez alguém
Esteja a minha espera
Fico parado
Fico reclamando
E talvez alguém
Esteja de mim reclamando
Fico parado
Fico a observar
E talvez alguém
Esteja a me observar
Fico parado
Fico tentando entender
E talvez alguém
Esteja tentando me entender
José Rosa (ZeRo S/A)
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