quarta-feira, 13 de maio de 2009

Engano

Tantas vezes
Olhei para você,
Sem perceber
Que queria ver
Outra pessoa.

José Rosa (ZeRo S/A)

domingo, 26 de abril de 2009

Conteúdo

Irei avançar mais um pouco
Para ficar próximo ao seu corpo
Não pense como era antes
Só sinta a promessa do que viverá daqui em diante

Solto, deixe o seu coração solto.
Batendo, batendo e batendo
O seu sangue veloz pelas veias
Aquecendo a sua pele alva
Enrijecendo-me

Irei avançar mais um pouco
Para ficar dentro do seu corpo
E quando me afastar
Não haverá distância
Estaremos sempre um contendo o outro

José Rosa (ZeRo S/A)

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Ardor

Passou-se mais uma noite
E parto em direção ao tédio
Até o final da tarde
Odeio o sol que arde.

José Rosa (ZeRo S/A)

domingo, 22 de março de 2009

Nem tudo Que É Certo É Reto (Abril/1988)

Siga a seta,
E talvez tenha uma vida certa.
Talvez,
Pois, quem afirma isso,
Talvez não tenha certeza
De que esteja consciente ou lúcido.
Talvez ele tenha inventado tudo isso.
Talvez ele nem saiba
O que esteja dizendo.

José Rosa (ZeRo S/A)

segunda-feira, 9 de março de 2009

Outro Começo (Fevereiro/1988)

Muitas coisas rolam
Palavras, cenas, pessoas,
O medo não me permite
Que em você tenha confiança.
Assim me mantenho em segurança.
Não sei do que tenho medo
Se de você ou de todas.
Todas são tão iguais a você.
Mudam os corpos e algumas palavras,
Mas permanece o medo que tenho de você.
Como pode querer o meu mal,
Como pode querer ver minhas lágrimas,
Se o que eu quero é melhor lhe conhecer?
Será impossível de isso lhe convencer?
Muitas coisas rolam
Cenas, pessoas, palavras
As palavras que rolam estão camufladas
Os carros seguem pela estrada errada
E você sempre diz que é o fim
Acho que o medo que eu tenho por você
É o mesmo que você sente por mim.

José Rosa (ZeRo S/A)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Eu:Falo

Perdi-me
Descompletei-me
Fiquei fora de compasso
Parti-me em pedaços

Não tenho mais:
braços - para abraços emaranhados;
boca - para beijos sem enfado;
olhos - para a contemplação do belo;
coração - para a poesia, para o sentir.

Restou-me,
Além das pernas para saídas furtivas,
Somente o necessário para dar vazão aos instintos
O que agora sou
Digo-lhes com pesar...
Eu: falo.

José Rosa (ZeRo S/A)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Insensatez

Meu insensato lado de lá,
que se insinua
na segura corrente em que vivo.
Que me deseja nua, na rua,
tonta de tanto riso,
afugentando a demência de tanto siso.

Meu sensato lado de cá,
que equilibrista me faz,
e foge do perigo,
e em redoma segura se fecha,
e prende as cordas.
Torna cansativa paz a quietude.
Secreta-me um degredo,
sem mistério, sem segredo.

Ah! Insensatez que não se impõe!
Minha incerta parte que não se expressa!
Arrebenta de vez o quadrado.
Faz pontudo, faz de conta,
faz tudo que insensato pareça.
Impede que a sensatez me emudeça.
Faz-me lenta, prazerosa,
liberta de cercas, à toa,
insensata, misteriosa.

Oldair Marques

domingo, 21 de dezembro de 2008

Doze Luas

A Lua – cheia
Para ela – sempre
Olhávamos em ditongo.
Cúmplices lunáticos
A olhar o luar.

A Lua branca
O céu azul
Os olhos castanhos, vinho tinto.
Nuances coloridas
Tingindo o cinza cotidiano.

A Lua – onírica
Nossos olhos e o luar
Magia, arte e poesia
Lunáticos amantes
A amar ao luar

A Lua – solitária
Para ela – agora
Nossos olhos em hiato
Terráqueos a sós
A ignorar o luar.

José Rosa (ZeRo S/A)

domingo, 14 de dezembro de 2008

Olha Aí Freguesa!

Olha aí freguesa!
Tenho um produto para lhe oferecer!
É mercadoria de primeira, pode levar.
Em toda a feira
Melhor não irá encontrar.


Nem me dá atenção
E só quer saber
Dos produtos oferecidos de baciada.

Olha aí freguesa!
Faço para a senhorita uma promoção!
Boa oportunidade! É produto raro!


Passa reto por mim
E na barraca ao lado compra xepa
Mesmo pagando muito caro

Olha aí freguesa!
Tenho uma proposta para a senhorita.
Leva o produto e não paga nada.
Leva para experimentar.
A senhorita parece ser inteligente e ter bom gosto
Tenho certeza que irá apreciar

Mostra-se interessada, mas meio desconfiada.

Pode levar com confiança
E até mais minha freguesa!
A sua satisfação é também minha.
E tenho certeza de que para a minha humilde barraca
Sempre irá retornar.

Ela leva o meu produto prometendo degustar

Olá querida freguesa! Que alegria!
Não falei que a senhorita voltaria?

Me devolve a mercadoria, intacta e sem ser experimentada,
Com cara de empáfia e desprezo
E sem falar nada
Vai pela feira enchendo a sua sacola de porcariada.

Olha aí minha freguesa!
Parei de oferecer coisa boa.
Agora só ofereço produtos adulterados, falsificados e sem qualidade.
Corre freguesa, não vacila,
Pois é grande a demanda.
Corre, senão para a senhorita não sobra nada.


José Rosa (ZeRo S/A)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Errar Não É Um Erro (Junho/1987)

Não fique triste por ter errado,
Isso quase sempre acontece,
É uma questão de religião, política, idealismo de vida, sexo, poder aquisitivo.
Pode ser até um fator positivo.
Não fique triste por ter errado.
Errando que se descobrem os erros.
Quando não há erros,
Não se tem certeza de se ter acertado.
Não fique triste por ter errado.
Erro, logo existo e ninguém pode negar.
O erro é o amigo da perfeição,
E quem erra, seus erros irá espantar.
Todo mundo vive errado.
O mundo todo é um erro.
Todo mundo age errado.
Um mundo todo de erros é onde erramos.
Seres errôneos que nascem, vivem, agem e etc. e tal errado.
São erros de português, erros de cálculo,
Erros de arbitragem, erros de emissão e admissão.
São datas erradas, horas erradas,
Homens e mulheres errados, pessoas erradas.
Erra-se por pouco, por burrice, por inocência,
Por distração, por sã consciência.
Erra-se de todas as formas.
São erros de todos os tipos.
Enfim,
Não fique triste por ter errado,
Isso quase sempre acontece.

José Rosa (ZeRo S/A)