Siga a seta,
E talvez tenha uma vida certa.
Talvez,
Pois, quem afirma isso,
Talvez não tenha certeza
De que esteja consciente ou lúcido.
Talvez ele tenha inventado tudo isso.
Talvez ele nem saiba
O que esteja dizendo.
José Rosa (ZeRo S/A)
domingo, 22 de março de 2009
segunda-feira, 9 de março de 2009
Outro Começo (Fevereiro/1988)
Muitas coisas rolam
Palavras, cenas, pessoas,
O medo não me permite
Que em você tenha confiança.
Assim me mantenho em segurança.
Não sei do que tenho medo
Se de você ou de todas.
Todas são tão iguais a você.
Mudam os corpos e algumas palavras,
Mas permanece o medo que tenho de você.
Como pode querer o meu mal,
Como pode querer ver minhas lágrimas,
Se o que eu quero é melhor lhe conhecer?
Será impossível de isso lhe convencer?
Muitas coisas rolam
Cenas, pessoas, palavras
As palavras que rolam estão camufladas
Os carros seguem pela estrada errada
E você sempre diz que é o fim
Acho que o medo que eu tenho por você
É o mesmo que você sente por mim.
José Rosa (ZeRo S/A)
Palavras, cenas, pessoas,
O medo não me permite
Que em você tenha confiança.
Assim me mantenho em segurança.
Não sei do que tenho medo
Se de você ou de todas.
Todas são tão iguais a você.
Mudam os corpos e algumas palavras,
Mas permanece o medo que tenho de você.
Como pode querer o meu mal,
Como pode querer ver minhas lágrimas,
Se o que eu quero é melhor lhe conhecer?
Será impossível de isso lhe convencer?
Muitas coisas rolam
Cenas, pessoas, palavras
As palavras que rolam estão camufladas
Os carros seguem pela estrada errada
E você sempre diz que é o fim
Acho que o medo que eu tenho por você
É o mesmo que você sente por mim.
José Rosa (ZeRo S/A)
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Eu:Falo
Perdi-me
Descompletei-me
Fiquei fora de compasso
Parti-me em pedaços
Não tenho mais:
braços - para abraços emaranhados;
boca - para beijos sem enfado;
olhos - para a contemplação do belo;
coração - para a poesia, para o sentir.
Restou-me,
Além das pernas para saídas furtivas,
Somente o necessário para dar vazão aos instintos
O que agora sou
Digo-lhes com pesar...
Eu: falo.
José Rosa (ZeRo S/A)
Descompletei-me
Fiquei fora de compasso
Parti-me em pedaços
Não tenho mais:
braços - para abraços emaranhados;
boca - para beijos sem enfado;
olhos - para a contemplação do belo;
coração - para a poesia, para o sentir.
Restou-me,
Além das pernas para saídas furtivas,
Somente o necessário para dar vazão aos instintos
O que agora sou
Digo-lhes com pesar...
Eu: falo.
José Rosa (ZeRo S/A)
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Insensatez
Meu insensato lado de lá,
que se insinua
na segura corrente em que vivo.
Que me deseja nua, na rua,
tonta de tanto riso,
afugentando a demência de tanto siso.
Meu sensato lado de cá,
que equilibrista me faz,
e foge do perigo,
e em redoma segura se fecha,
e prende as cordas.
Torna cansativa paz a quietude.
Secreta-me um degredo,
sem mistério, sem segredo.
Ah! Insensatez que não se impõe!
Minha incerta parte que não se expressa!
Arrebenta de vez o quadrado.
Faz pontudo, faz de conta,
faz tudo que insensato pareça.
Impede que a sensatez me emudeça.
Faz-me lenta, prazerosa,
liberta de cercas, à toa,
insensata, misteriosa.
Oldair Marques
que se insinua
na segura corrente em que vivo.
Que me deseja nua, na rua,
tonta de tanto riso,
afugentando a demência de tanto siso.
Meu sensato lado de cá,
que equilibrista me faz,
e foge do perigo,
e em redoma segura se fecha,
e prende as cordas.
Torna cansativa paz a quietude.
Secreta-me um degredo,
sem mistério, sem segredo.
Ah! Insensatez que não se impõe!
Minha incerta parte que não se expressa!
Arrebenta de vez o quadrado.
Faz pontudo, faz de conta,
faz tudo que insensato pareça.
Impede que a sensatez me emudeça.
Faz-me lenta, prazerosa,
liberta de cercas, à toa,
insensata, misteriosa.
Oldair Marques
domingo, 21 de dezembro de 2008
Doze Luas
A Lua – cheia
Para ela – sempre
Olhávamos em ditongo.
Cúmplices lunáticos
A olhar o luar.
A Lua branca
O céu azul
Os olhos castanhos, vinho tinto.
Nuances coloridas
Tingindo o cinza cotidiano.
A Lua – onírica
Nossos olhos e o luar
Magia, arte e poesia
Lunáticos amantes
A amar ao luar
A Lua – solitária
Para ela – agora
Nossos olhos em hiato
Terráqueos a sós
A ignorar o luar.
José Rosa (ZeRo S/A)
Para ela – sempre
Olhávamos em ditongo.
Cúmplices lunáticos
A olhar o luar.
A Lua branca
O céu azul
Os olhos castanhos, vinho tinto.
Nuances coloridas
Tingindo o cinza cotidiano.
A Lua – onírica
Nossos olhos e o luar
Magia, arte e poesia
Lunáticos amantes
A amar ao luar
A Lua – solitária
Para ela – agora
Nossos olhos em hiato
Terráqueos a sós
A ignorar o luar.
José Rosa (ZeRo S/A)
domingo, 14 de dezembro de 2008
Olha Aí Freguesa!
Olha aí freguesa!
Tenho um produto para lhe oferecer!
É mercadoria de primeira, pode levar.
Em toda a feira
Melhor não irá encontrar.
Nem me dá atenção
E só quer saber
Dos produtos oferecidos de baciada.
Olha aí freguesa!
Faço para a senhorita uma promoção!
Boa oportunidade! É produto raro!
Passa reto por mim
E na barraca ao lado compra xepa
Mesmo pagando muito caro
Olha aí freguesa!
Tenho uma proposta para a senhorita.
Leva o produto e não paga nada.
Leva para experimentar.
A senhorita parece ser inteligente e ter bom gosto
Tenho certeza que irá apreciar
Mostra-se interessada, mas meio desconfiada.
Pode levar com confiança
E até mais minha freguesa!
A sua satisfação é também minha.
E tenho certeza de que para a minha humilde barraca
Sempre irá retornar.
Ela leva o meu produto prometendo degustar
Olá querida freguesa! Que alegria!
Não falei que a senhorita voltaria?
Me devolve a mercadoria, intacta e sem ser experimentada,
Com cara de empáfia e desprezo
E sem falar nada
Vai pela feira enchendo a sua sacola de porcariada.
Olha aí minha freguesa!
Parei de oferecer coisa boa.
Agora só ofereço produtos adulterados, falsificados e sem qualidade.
Corre freguesa, não vacila,
Pois é grande a demanda.
Corre, senão para a senhorita não sobra nada.
José Rosa (ZeRo S/A)
Tenho um produto para lhe oferecer!
É mercadoria de primeira, pode levar.
Em toda a feira
Melhor não irá encontrar.
Nem me dá atenção
E só quer saber
Dos produtos oferecidos de baciada.
Olha aí freguesa!
Faço para a senhorita uma promoção!
Boa oportunidade! É produto raro!
Passa reto por mim
E na barraca ao lado compra xepa
Mesmo pagando muito caro
Olha aí freguesa!
Tenho uma proposta para a senhorita.
Leva o produto e não paga nada.
Leva para experimentar.
A senhorita parece ser inteligente e ter bom gosto
Tenho certeza que irá apreciar
Mostra-se interessada, mas meio desconfiada.
Pode levar com confiança
E até mais minha freguesa!
A sua satisfação é também minha.
E tenho certeza de que para a minha humilde barraca
Sempre irá retornar.
Ela leva o meu produto prometendo degustar
Olá querida freguesa! Que alegria!
Não falei que a senhorita voltaria?
Me devolve a mercadoria, intacta e sem ser experimentada,
Com cara de empáfia e desprezo
E sem falar nada
Vai pela feira enchendo a sua sacola de porcariada.
Olha aí minha freguesa!
Parei de oferecer coisa boa.
Agora só ofereço produtos adulterados, falsificados e sem qualidade.
Corre freguesa, não vacila,
Pois é grande a demanda.
Corre, senão para a senhorita não sobra nada.
José Rosa (ZeRo S/A)
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Errar Não É Um Erro (Junho/1987)
Não fique triste por ter errado,
Isso quase sempre acontece,
É uma questão de religião, política, idealismo de vida, sexo, poder aquisitivo.
Pode ser até um fator positivo.
Não fique triste por ter errado.
Errando que se descobrem os erros.
Quando não há erros,
Não se tem certeza de se ter acertado.
Não fique triste por ter errado.
Erro, logo existo e ninguém pode negar.
O erro é o amigo da perfeição,
E quem erra, seus erros irá espantar.
Todo mundo vive errado.
O mundo todo é um erro.
Todo mundo age errado.
Um mundo todo de erros é onde erramos.
Seres errôneos que nascem, vivem, agem e etc. e tal errado.
São erros de português, erros de cálculo,
Erros de arbitragem, erros de emissão e admissão.
São datas erradas, horas erradas,
Homens e mulheres errados, pessoas erradas.
Erra-se por pouco, por burrice, por inocência,
Por distração, por sã consciência.
Erra-se de todas as formas.
São erros de todos os tipos.
Enfim,
Não fique triste por ter errado,
Isso quase sempre acontece.
José Rosa (ZeRo S/A)
Isso quase sempre acontece,
É uma questão de religião, política, idealismo de vida, sexo, poder aquisitivo.
Pode ser até um fator positivo.
Não fique triste por ter errado.
Errando que se descobrem os erros.
Quando não há erros,
Não se tem certeza de se ter acertado.
Não fique triste por ter errado.
Erro, logo existo e ninguém pode negar.
O erro é o amigo da perfeição,
E quem erra, seus erros irá espantar.
Todo mundo vive errado.
O mundo todo é um erro.
Todo mundo age errado.
Um mundo todo de erros é onde erramos.
Seres errôneos que nascem, vivem, agem e etc. e tal errado.
São erros de português, erros de cálculo,
Erros de arbitragem, erros de emissão e admissão.
São datas erradas, horas erradas,
Homens e mulheres errados, pessoas erradas.
Erra-se por pouco, por burrice, por inocência,
Por distração, por sã consciência.
Erra-se de todas as formas.
São erros de todos os tipos.
Enfim,
Não fique triste por ter errado,
Isso quase sempre acontece.
José Rosa (ZeRo S/A)
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Cenas de TV / Produtos Perecíveis (1989)
Estava branco o muro
da casa que abrigava o cadáver gelado
Estava piegas a festa
da pessoa que derramava lágrimas geladas
Estavam fortes as lembranças
do casal que trocavam carícias geladas
Estava forte o muro
da casa que derramava lágrimas geladas
Estava branca a festa
da pessoa de carícias geladas
Estavam piegas as lembranças
do casal que abrigava o cadáver gelado
Estavam brancos os muros
Estavam piegas as festas
Estavam fortes as lembranças
Estava gelado o cadáver
Como as lágrimas derramadas
Como as carícias trocadas
José Rosa (ZeRo S/A)
da casa que abrigava o cadáver gelado
Estava piegas a festa
da pessoa que derramava lágrimas geladas
Estavam fortes as lembranças
do casal que trocavam carícias geladas
Estava forte o muro
da casa que derramava lágrimas geladas
Estava branca a festa
da pessoa de carícias geladas
Estavam piegas as lembranças
do casal que abrigava o cadáver gelado
Estavam brancos os muros
Estavam piegas as festas
Estavam fortes as lembranças
Estava gelado o cadáver
Como as lágrimas derramadas
Como as carícias trocadas
José Rosa (ZeRo S/A)
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Oração Quase Pagã (Fevereiro/1990)
Deus me proteja
Do que é falso
Do que não corresponde à verdade
Da ilusão
Deus me proteja
Da morte em vida
Da vida sem sorte
Do amor mundano
Deus me proteja
Das pessoas incorrigivelmente tristes
Dos homens em papéis de homens
Das mulheres em papéis de mulheres
Deus me proteja
Da solidão amarga
Do sexo irracional
Do egoísmo cego
Deus me proteja
Agora que perdi a inocência
Agora que estou à mercê da tentação
Agora que levei a primeira pedrada
José Rosa (ZeRo S/A)
Do que é falso
Do que não corresponde à verdade
Da ilusão
Deus me proteja
Da morte em vida
Da vida sem sorte
Do amor mundano
Deus me proteja
Das pessoas incorrigivelmente tristes
Dos homens em papéis de homens
Das mulheres em papéis de mulheres
Deus me proteja
Da solidão amarga
Do sexo irracional
Do egoísmo cego
Deus me proteja
Agora que perdi a inocência
Agora que estou à mercê da tentação
Agora que levei a primeira pedrada
José Rosa (ZeRo S/A)
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Devastação
Meu passeio por ti
Nunca é calmo
Nunca há calmaria
Tremores sempre há.
Tuas planícies,
Teu cerrado, montanhas e canyons
Abalam-se ao meu passar.
Cinco, seis, sete, oito, nove graus na escala Richter
Passo e devasto tua paisagem
Sou como um deus impiedoso,
Porém tu és fênix
E sempre te recompões,
E em outra noite
Me abres desejosa
Teus caminhos para que eu passe
E novamente te devaste.
José Rosa (ZeRo S/A)
Nunca é calmo
Nunca há calmaria
Tremores sempre há.
Tuas planícies,
Teu cerrado, montanhas e canyons
Abalam-se ao meu passar.
Cinco, seis, sete, oito, nove graus na escala Richter
Passo e devasto tua paisagem
Sou como um deus impiedoso,
Porém tu és fênix
E sempre te recompões,
E em outra noite
Me abres desejosa
Teus caminhos para que eu passe
E novamente te devaste.
José Rosa (ZeRo S/A)
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