quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Coração Selvagem (Março/1991)

O calor intenso,
aquela noite caracterizou.
Achei pertinente despir-me e ganhar as ruas.
Até aquele momento, eu era um absoluto novato.
Nunca agira por conta própria.

Enquanto caminhava,
Mulheres e homens me abordavam,
tentando seduzir-me.
Eram seres violentos, que desejavam minha carne.
Mesmo que fosse em retalhos e desfigurada.

O calor aumentava,
E o meu cérebro caiu no chão quando abri a minha mente.
Já não podia refletir ou pensar.
Eram os instintos os meus guias.

A visão dela que tive naquele momento...
O calor, que era intenso, ficou insuportável.
Meu coração acelerou freneticamente.
Suas proporções aumentaram rapidamente,
Até que ele explodiu.
O calor passara...

José Rosa (ZeRo S/A) 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Coisa Pouca

Vou lhe dizer um coisa
Uma coisa que pode lhe parecer meio boba
Acho até que não me levará a sério.

Tenho a intenção
De ficar bem pertinho de você
Sem pretensão nenhuma de partir.
Ficar assim, assim
Meio casal antes do primeiro beijo
Escolhendo palavras para impressioná-la
Simplesmente vê-la sorrir.

Vou lhe dizer uma outra coisa
Uma coisa que pode lhe parecer meio louca
Se você ficar aqui, bem pertinho de mim
Me jogando, assim, todo seu charme
Fazê-la para sempre feliz
Para mim será coisa pouca.

José Rosa (ZeRo S/A)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Overdose (Maio/1991)

Se não tivesse
da dose exagerado,
poderia beber um pouco mais.
Poderia ter me embriagado.
Ter usufruído
da beleza da embriaguez,
O gosto da falta de controle.
Encenar outra personagem.

José Rosa (ZeRo S/A)

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Janela Indiscreta (Maio/1991)

Olhei pela janela
E o que vi foi somente:
Carros, pessoas, o cotidiano.
Em outras vezes,
Algo mais eu via:
Solidão, inimigos, a morte.

José Rosa (ZeRo S/A)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Insatisfação (Maio/1991)

Eu já não me satisfaço.
Quando vem a treva,
Meus olhos permanecem arregalados,
E a luz já se esqueceu deles.
Estou triste e contrito.
Minha alma há muito adoeceu.
A ilusão tornou-se minha companheira,
Pois a paixão foi deveras passageira.
Desejar é meu verbo.
E a insegurança o meu eterno substantivo.
Amargurado estou,
E o meu corpo é o reflexo disto.

José Rosa (ZeRo S/A)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Chuva (Abril/1986)

Cai a chuva, chuva, chuva
Que do céu negro principia
Ao encontro dos telhados
Amedrontados pelo terror que anuncia.

Nos córregos, a água escura sobe, sobe
Invadindo, destruindo, massacrando
Acordando a quem ainda dorme
O sono do pecado de não ter sobrenome.

Mais distante não tem córregos
Ninguém tem medo da chuva,
Pois o ouro do berço nascente
Embala-os em um sono seco e quente.

José Rosa ( ZeRo S/A)

domingo, 29 de novembro de 2009

Sampa (1988)

Sampa,
dos canteiros floridos dos Jardins
e dos depósitos de lixo da periferia,
das modelos invejadas e cobiçadas
e das prostitutas largadas e marginalizadas,
das coberturas com ar condicionado
e das fogueiras embaixo dos viadutos,
dos poetas bunda-moles
e dos arrotadores de versos,
do homem
e da mulher,
dos gordos
e dos famintos,
do assim
e do assado,
do fulano
e do cicrano,
dos que vieram iludidos
e dos que nasceram na ilusão.
Sampa samba, dança.
Seu tempo já passou.
Sampa sambou, dançou.
Nunca mais me engana.
Nunca mais,
nunca.

José Rosa (ZeRo S/A)

domingo, 15 de novembro de 2009

Que Assim Seja

Você tenta me enganar
Enganando-se.
Não dizendo que me ama.
Fazendo-se de surda,
Quando te amo digo.

Você tenta me enganar
E tonto acabo me enganando,
Crendo na sua simulação de não me amar.

Mantendo-me à distância
Para que assim, com o tempo,
Meu amor por você
Uma suave e breve lembraça somente seja.

José Rosa (ZeRo S/A)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Pelada

Quando a pelota rola
Nada mais me incomoda.
Nem aquela paixão mal resolvida,
Nem minhas dívidas pendentes,
Nem minhas frustrações profissionais,
Nem as mazelas sociais.

O mundo agora é retangular.
E com certeza ele não gira, mas sim a gorducha.
De pé em pé,
De alma a alma.

Agora sou gênio, sou artista.
Recebo aplausos.
Caio, mas sempre levanto,
E a dor é combustível.
É troféu.
E há sempre um último fôlego.
E a exaustão física, dever cumprido significa.

Ah! E quando a esfera
Pelos meus méritos adentra a meta
É GOOOOOLLLLLLLL!!!!!!!
É gozo.
E como explicar esse prazer imensurável?
Impossível.
Só entende quem namora... A bola.

José Rosa (ZeRo S/A)