terça-feira, 29 de março de 2011

Revelação (Março/2011)

Seus lábios contra os meus
Não há mais ardor.
Sua boca outrora escancarada, frouxa
Agora resiste a se abrir para mim.
Sua língua sempre tão atrevida
Se faz de tímida.
Preguiçosa, não busca os sabores da minha.
O ar de suas narinas é frio.
O beijo é breve, é pouco, é quase falso.
Então uma certeza me toma.
Este foi o derradeiro,
O beijo revelador.
Não há nenhuma dúvida
A sua boca está a outra beijar.

José Rosa (ZeRo S/A)

terça-feira, 1 de março de 2011

Efemeridade (Março/2011)

Palavras escritas na areia da praia,
Água do mar que as dissolve,
Vento que as dispersa.

Palavras suas de bem-querer e desejos,
Indiferença que as contradiz,
Egoísmo que as pulveriza.

Triste efemeridade.

José Rosa (ZeRo S/A)

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Aproxima (2010)


Então é assim, mocinha?
Você aí e eu cá?
Para de fugir.
Aproxima.

Nosso romance tem cheiro azul,
E nada de blues.
Possui ritmo de valsinha alegre,
Refrescante brisa de primavera.
Aproxima.

Vamos comemorar os luares,
Ligar para dizer:
Tô com saudade.
Aproxima.

Ouça os meus olhos
Embriagados de você.
Ouça com atenção
Aproxima.

Isso, mocinha.
Bem pertinho.
Eu e você aqui.
Sempre juntinhos.
Aproxima.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Balancete Anual (Dezembro/2009)


Dois mil e pouco de dívidas no cartão de crédito,
Mais um tanto igual no cheque especial.
Uma paixão não correspondida,
Seis noites sem dormir por conta disso.
Algumas conquistas românticas,
(meu cavalheirismo impede-me dar números).
Outros tantos foras,
(meu orgulho ferido impede-me dar números).
Zero contusão no futebol.
Vinte e seis gols – sendo um golaço:
Dois defensores tirei com um só drible,
A bola no canto direito; contrapé do goleiro.
Zero valorização no trabalho,
Vinte e poucos sapos engolidos,
Duas crises de ansiedade,
Uma consulta ao psiquiatra.
Dois funerais e um casamento.
Um batizado também.
Duas dezenas de poemas novos,
Meia dúzia de mini-contos.
Uma dúzia e meia de livros lidos.
Três bebedeiras,
Três ressacas: uma foi moral.
Um ano a mais do meu Palestra na fila.
Um sarau, zero cinema, zero balé.
Quatro feriados na praia ao sol,
Zero noite de luar.
Centenas de outras coisinhas que é melhor não computar.
Enfim, o ano no vermelho terminando.
Mais 365 dias assim e concordata terei que pedir.

José Rosa

sábado, 4 de dezembro de 2010

O Mar (Novembro 2010)

Vou sair para ver o mar,
Deslizar pelas curvas da estrada.
Um longo caminho a percorrer,
Somente para lhe encontrar.

A brisa marinha me acalenta.
O seu doce perfume me excita.
Lanço oferendas aos deuses dos oceanos,
E oferto-me a você,
Lançando-me sobre o seu corpo,
Sem medo de possíveis danos.

Nossos corpos unidos,
Bailam ao ritmo das ondas.
Tesos, vamos à exaustão.
Nosso suor, água do mar.
Vestígio do nosso amar.

Com seu canto, encanto-me, sereia.
Em suas águas, mergulho.
Mais, cada vez mais, fundo.
Sem intenção nenhuma, à superfície retornar.

Vou sair para agradecer ao mar,
O encontrar você.
Pedir licença para que por um longo tempo,
Sob a luz da Lua, e o calor do Sol,
Por suas praias, ao seu lado, poder caminhar.

José Rosa (ZeRo S/A)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Olhos (Outubro/2010)

Quando ela olhou,
Profundamente dentro dos meus olhos,
Viu os seus refletidos neles.
Vislumbrou o meu, também o seu,
O nosso amor.
Apavorou-se
E se debandou.

José Rosa (ZeRo S/A)

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Escola (Outubro/2010)

Quem não cola,
Não sai da escola.
Anacrônico este ditado,
Que deve ser esquecido sem demora.

Em dias atuais,
Da escola saem todos.
Quem cola,
E quem estuda com afinco para aprender.
Saem até os que de cálculos e da escrita,
Não têm nenhum domínio,
E os que pouco sabem ler.

Ouvi um caso,
Que da escola, saiu com louvor,
Não sei se é verdade,
Alguém que no final de ano letivo
Não era mais vivo.
Era já somente um cadáver.

Sair da escola já não é um problema,
O que não pode é abandonar.
Abandono é inadmissível,
Pois o governo prometeu
Que extinguiria a evasão escolar.

Quem não cola,
Não sai da escola.
Que bobagem.
Hoje, dos bancos escolares saem todos.
Estudando, colando, ou
Em sala de aula, somente, respirando.

José Rosa (ZeRo S/A)

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Tempo (Setembro/2010)

 O tempo passa,
Às vezes, muito mais lento por lá,
Do que aqui, onde tudo acontecendo está.

Do tempo que passa
Já não sei, já não quero saber
Para onde ele está a me levar.

O tempo,
Quando por aqui cheguei,
Já estava,
E quando eu partir,
Continuará a passar.
Não mais para mim.

José Rosa (ZeRo S/A)

domingo, 12 de setembro de 2010

Oferta e Procura (Setembro/2010)

Ignora meus pedidos de casamento.
Faz pouco caso do meu amor eterno.
Rejeita os meus abraços nos dias frios de inverno.
Não quer ouvir como lhe quero.
Nada sobre a imensidão dos meus desejos.
Não quer palavras, nem gestos
Ou qualquer outra coisa tenra de mim.

O que fazer diante de tamanha falta de consideração?
Meus amigos, minha decisão revelo a vocês.
Direi a ela veementemente,
Com a coragem que só os apaixonados têm:
- Meu amor, com imensa emoção lhe declaro,
Se não me quer, sem problemas.
Com absoluta certeza, há quem queira.
Adeus.

José Rosa (ZeRo S/A)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

The End (Agosto/2010)

À espera da Lua
Que não aparece.
Céu nublado.
Celular calado.
Magia que se finda.

José Rosa (ZeRo S/A)