terça-feira, 30 de setembro de 2008

Imposição

Minha Querida,
Não quero que deixe de sair com suas amigas e
Não é meu desejo que largue o seu emprego,
Abandone nenhum dos seus sonhos ou
Desista de seus planos.
Nunca pensei que tivesse o direito de lhe proibir a minissaia.
Olha, pode acreditar
Sua essência, nem por sonho quis mudar.
Não lhe peço que mude nada
Não lhe peço que largue nada
Não lhe peço que faça nada
Que não seja realmente importante.
Só uma coisa faço questão de lhe impor
Por nenhuma bobagem, nenhuma frescura ou vaidade
Desista de nós, desista de mim.

José Rosa (ZeRo S/A)

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Falsas Palavras (Março/1991)

Se de alguma forma
Pudesse eu detectar
A verdade ou a mentira em suas palavras
Talvez eu me matasse
Para nunca mais sentir o gosto da dúvida.

José Rosa (ZeRo S/A)

domingo, 31 de agosto de 2008

Momentos e Eternidade

O romantismo exige belas palavras
Súplicas e juras de amor eterno
Floreios e galanteios,
Entretanto quando nos amamos
Você sentada no meu colo,
Mexendo-se e fazendo meu falo explodir
Perco a compostura e a elegância
E lhe faço reverências verdadeiras para o momento:
Você é puta!
Você é minha puta!
E só depois de acalmados os ânimos
Romântico padrão volto a ser
Sussurro no seu ouvido : Te amo!
E tenha certeza
Que eu sempre te amo.

José Rosa ( ZeRo S/A)

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Metalinguagem

Meta
Metade disto
Está na outra metade
Linguagem
Sua língua
Dentro de minha boca
Sua boca
Tendo minha língua

José Rosa ( ZeRo S/A)

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

De Bobeira

Coisa boba
Esse lance de ter medo de mim.
Não seja boba,
Acredite, não precisa a mim temer.
Eu sei, você não quer mais bancar a tola,
Mas é bobagem enxergar o presente com olhos passados
Eu sei, às vezes banco o bobo também
Então é o seguinte
Tenho uma proposta para você
A gente se despe de nossas roupas e medos
Pára de bobagem
E fica de bobeira
A noite inteira

José Rosa (ZeRo S/A)

domingo, 27 de julho de 2008

Corda Bamba

Minha vergonha
É enxergar exageradamente minhas virtudes.
É de merda que sujo
A sola do meu sapato após um passo em falso.
É de concreto o muro em que arrebento
O meu nariz após uma distração.
É triste,
Deitar na minha cama quando não tenho sono.
Minha desgraça
Será enxergar exageradamente meus defeitos

José Rosa (ZeRo S/A)

domingo, 20 de julho de 2008

Pesadelos Perfeitos (Fevereiro/1990)

Simulamos com perfeição,
Felicidade.
Quase nos convencemos.
Tática tão simples,
Não encarar a realidade,
Viver a inconstância,
Quando na verdade
Uma paixão que não se consome
Perturba nossas almas,
Leva-nos a desejar
O que é pecado.
Tememos a dor
Ela que tanto nos apraz
Causar ao semelhante.
Aos nossos antigos, presentes e
futuros companheiros.
Que criaturas horrendas somos nós
Conhecemos o caminho certo,
Porém sempre o encaramos como utopia
Uma quimera
Um tema perfeito,
Para nossos pesadelos

José Rosa ( ZeRo S/A)

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Portas

O que me importa
Bater na sua porta
E você abri-la para eu entrar
E então, abrir para mim os seus braços
Para nos misturarmos
Caleidoscópio, várias nuances de nós
Abrir para mim a sua boca
Para nossa sede de nós saciarmos
E a mesma língua falarmos
Abrir para mim suas pernas
Para no seu gozo, no meu gozo, no nosso gozo
Completos ficarmos
Abrir para mim o seu coração
Para batermos no mesmo compasso
E assim as nossas almas no mesmo passo
E depois
Para mim nada mais importa
Do lado de fora de sua porta

José Rosa (ZeRo S/A)

terça-feira, 24 de junho de 2008

Por Toda A Eternidade Amém (Janeiro/1989)

Pessoas que acreditam no amor
Pessoas que, contudo não amam
Pessoas que erram ao pensar
Que são capazes de amar.

Pessoas que se limitam
Pessoas que não são objetivas
Pessoas que erram quando reconhecem
Que a alguém pertencem

Pessoas que se comprometem
Pessoas que assumem compromissos
Pessoas que se julgam amantes e amadas,
Em relações que de amor não há nada

Pessoas que não são espontâneas
Pessoas que não são capazes de se definirem
Pessoas que perdem tesão com o tempo,
Pois sempre dão tempo ao tempo

Pessoas que possuem seus problemas
Pessoas que procuram as soluções em outras
Pessoas que se enganam
Fingindo que amam

Pessoas são falsas consigo mesmas
Pessoas são seres que assumem fases
Pessoas esquecem o que fizeram,
Pois isso foi tudo o que sempre quiseram

José Rosa (ZeRo S/A)

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Sutileza

Na sua
Burra vergonha
Nua
Sob a luz
Da lua
Descobre-se
Que a beleza sutil
Voa
Não à toa,
Mas porque soa
Como uma melodia
Boa

José Rosa (ZeRo S/A)