sexta-feira, 30 de maio de 2008

Extremos

Hoje, a noite
É de precisões e vontades.
Eu com desejos
De penetrar sua alma
Com meus sentimentos.
E seu corpo
Com meus dedos,
Minha língua,
Meu pau.

José Rosa (ZeRo S/A)

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Descoberta Infeliz (Maio/1991)

Sou um atormentado
Todos são
Sou um sofredor
Por ser o meu tormento
Como os outros
Tão ameno

José Rosa (ZeRo S/A)

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Pensamentos em Mosaicos (Maio/1991)

Sempre simulacro
Sempre elegia
Noite e dia
Fantasias
O anexo
Não tem nexo
No sofá
Amor e sexo
Na retina
Vindos da TV
Mosaicos ao acaso
Ocaso

José Rosa (ZeRo S/A)

domingo, 20 de abril de 2008

Não Sei

Se dormi e sonhei
Não sei.
Se acordei em uma realidade paralela
Não sei.
Abri os olhos e lá estava eu
Em um insólito deserto.
Nada do que via e sentia era verdade
Apenas miragens.
Tudo falso
Tudo falsidade.
Somente o que eu queria ver
Em meus delírios de achar uma saída.
Por quanto tempo errei?
Não sei.
Achei um oásis
Agradeci aos céus
Gozei, catarsiei
Que felicidade!
Que plenitude!
Aproveitei. Sim, aproveitei
Então, se dormi e sonhei
Não sei
Se acordei em uma realidade paralela
Não sei
Abri os olhos e lá estava eu
De madrugada, sozinho
Sem você
Sem nós
Por quê?
Não sei.

José Rosa ( ZeRo S/A)

sábado, 12 de abril de 2008

Esclarecimento

Quando você chegou para mim
Dizendo que me amava
Disse-lhe que não acreditava,
Pois quem sente não fala.
Você olhou-me atônita
Comentando algo sobre minha insensibilidade
Eu lhe disse: Quem sente não falha!
E acrescentei um ponto final.
Tudo mais depois
Foi um imenso silêncio esclarecedor

José Rosa (ZeRo S/A)

segunda-feira, 31 de março de 2008

É Mais Fácil Chorar (1986)

Alegrias solitárias, não compartilhadas
Cortadas pelas raízes e mortas sem serem
Expressas por sorrisos e risadas
Obscuras pelo querer e não poder

Uma lágrima cai e desliza
Epidemia que corrói e alastra
Um oceano se origina
A flor murcha, seca pala mágoa

A loucura é o vetor da felicidade
Sorrir é totalmente irracional
É atitude de quem considera banal,
Assumir a seriedade da vil sociedade

A mágoa predomina nas almas penadas
Tudo contribui para a sua razão
A bebida, o namoro e a conta atrasada
Vidas assumindo o compromisso e negando a satisfação

José Rosa (ZeRo S/A)

segunda-feira, 17 de março de 2008

Uma Noite Após A Perda De Uma Paixão Platônica (Março/1991)

Quando um olhar
Parece entorpecente,
Satisfaz momentaneamente,
Enquanto a angústia
Da solidão companheira
Crava suas unhas
Na alma impotente
Pelo fato da razão onipotente,
Que sempre justifica magistralmente,
A fraqueza
Do coração extremamente doente,
Que é eterna,
Que é para sempre

José Rosa (ZeRo S/A)

quinta-feira, 6 de março de 2008

Passado Presente

Um certo desejo de conhecer alguém
Que vivera há muitos anos
Algo como em Algum Lugar do Passado
Ver as cores, sentir os cheiros do que não existe mais.
Ouvir uma voz que, aqui e agora, há muito está muda

Essas sensações que de tão estranhas,
de tão inexplicáveis, sufocam.
Que me tiram o sono
Falta-me ar
Falta-me vontade de pensar no amanhã

Então escrevo e bebo vinho
Bebo vinho e escrevo
E vivo o presente
E sorrio e não choro,
Pois estou vivo e vivendo,
Por que ainda consigo escrever sobre o que sinto.

José Rosa

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Sem Serventia

O tempo que passa
Não serve,
Não funciona.
Para a solidão?
Não, pois o grande mal
É o tédio.

José Rosa (ZeRo S/A)

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Amanhã

Eu e Ela não sabemos
Se haverá amanhã,
Mas se houver,
Certamente quereremos nos ver.
Isto é muito certo.
Será outro dia
Para mais uma garrafa de vinho,
Talvez duas.
Acompanhadas de pizza, é claro.
Havendo o amanhã,
Que não seja dia de labuta.
Que seja dia de sol
Para podermos pegar uma praia.
Para eu poder vê-la de biquíni
Adornando seu corpo moreno.
Eu e Ela não sabemos e
Ninguém pode saber
Se haverá o amanhã,
Porém queremos que haja.
Para podermos estar juntos
Mais uma vez
E assim nos beijarmos,
Trocarmos carícias,
Bater um delicioso papo,
Divagar sobre outro amanhã.
Que obviamente também não saberemos se haverá,
Mas que também desejaremos que haja.
Para podermos nos amar outra vez
E perceber que só o hoje
Não é o bastante para o nosso amor.

José Rosa (ZeRo S/A)