domingo, 20 de abril de 2008

Não Sei

Se dormi e sonhei
Não sei.
Se acordei em uma realidade paralela
Não sei.
Abri os olhos e lá estava eu
Em um insólito deserto.
Nada do que via e sentia era verdade
Apenas miragens.
Tudo falso
Tudo falsidade.
Somente o que eu queria ver
Em meus delírios de achar uma saída.
Por quanto tempo errei?
Não sei.
Achei um oásis
Agradeci aos céus
Gozei, catarsiei
Que felicidade!
Que plenitude!
Aproveitei. Sim, aproveitei
Então, se dormi e sonhei
Não sei
Se acordei em uma realidade paralela
Não sei
Abri os olhos e lá estava eu
De madrugada, sozinho
Sem você
Sem nós
Por quê?
Não sei.

José Rosa ( ZeRo S/A)

sábado, 12 de abril de 2008

Esclarecimento

Quando você chegou para mim
Dizendo que me amava
Disse-lhe que não acreditava,
Pois quem sente não fala.
Você olhou-me atônita
Comentando algo sobre minha insensibilidade
Eu lhe disse: Quem sente não falha!
E acrescentei um ponto final.
Tudo mais depois
Foi um imenso silêncio esclarecedor

José Rosa (ZeRo S/A)

segunda-feira, 31 de março de 2008

É Mais Fácil Chorar (1986)

Alegrias solitárias, não compartilhadas
Cortadas pelas raízes e mortas sem serem
Expressas por sorrisos e risadas
Obscuras pelo querer e não poder

Uma lágrima cai e desliza
Epidemia que corrói e alastra
Um oceano se origina
A flor murcha, seca pala mágoa

A loucura é o vetor da felicidade
Sorrir é totalmente irracional
É atitude de quem considera banal,
Assumir a seriedade da vil sociedade

A mágoa predomina nas almas penadas
Tudo contribui para a sua razão
A bebida, o namoro e a conta atrasada
Vidas assumindo o compromisso e negando a satisfação

José Rosa (ZeRo S/A)

segunda-feira, 17 de março de 2008

Uma Noite Após A Perda De Uma Paixão Platônica (Março/1991)

Quando um olhar
Parece entorpecente,
Satisfaz momentaneamente,
Enquanto a angústia
Da solidão companheira
Crava suas unhas
Na alma impotente
Pelo fato da razão onipotente,
Que sempre justifica magistralmente,
A fraqueza
Do coração extremamente doente,
Que é eterna,
Que é para sempre

José Rosa (ZeRo S/A)

quinta-feira, 6 de março de 2008

Passado Presente

Um certo desejo de conhecer alguém
Que vivera há muitos anos
Algo como em Algum Lugar do Passado
Ver as cores, sentir os cheiros do que não existe mais.
Ouvir uma voz que, aqui e agora, há muito está muda

Essas sensações que de tão estranhas,
de tão inexplicáveis, sufocam.
Que me tiram o sono
Falta-me ar
Falta-me vontade de pensar no amanhã

Então escrevo e bebo vinho
Bebo vinho e escrevo
E vivo o presente
E sorrio e não choro,
Pois estou vivo e vivendo,
Por que ainda consigo escrever sobre o que sinto.

José Rosa

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Sem Serventia

O tempo que passa
Não serve,
Não funciona.
Para a solidão?
Não, pois o grande mal
É o tédio.

José Rosa (ZeRo S/A)

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Amanhã

Eu e Ela não sabemos
Se haverá amanhã,
Mas se houver,
Certamente quereremos nos ver.
Isto é muito certo.
Será outro dia
Para mais uma garrafa de vinho,
Talvez duas.
Acompanhadas de pizza, é claro.
Havendo o amanhã,
Que não seja dia de labuta.
Que seja dia de sol
Para podermos pegar uma praia.
Para eu poder vê-la de biquíni
Adornando seu corpo moreno.
Eu e Ela não sabemos e
Ninguém pode saber
Se haverá o amanhã,
Porém queremos que haja.
Para podermos estar juntos
Mais uma vez
E assim nos beijarmos,
Trocarmos carícias,
Bater um delicioso papo,
Divagar sobre outro amanhã.
Que obviamente também não saberemos se haverá,
Mas que também desejaremos que haja.
Para podermos nos amar outra vez
E perceber que só o hoje
Não é o bastante para o nosso amor.

José Rosa (ZeRo S/A)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Perda de Tempo

Passei muito tempo
Sem ninguém me tocar
Passei muito tempo
Sendo somente seu
Muito tempo perdido
Muito tempo em vão
Queria ficar
Quando deveria ir.
Nada me prendia
Só a minha paixão
Passei muito tempo a procurar
Você em alguém
Perdi muito tempo,
Mas agora sei
Que muito tempo perdi
Sendo seu,
Sendo de ninguém.


José Rosa (ZeRo S/A)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Pleno

A noite encontra a madrugada
E esta espera o dia,
Mas o tempo parece não passar aqui.
Presumo que não deva,
Porém muito ficar desejo.

Minha boca se cala
Entre suas pernas dialoga.
Nada articulado se fala... Falo.
Calo e entre meus dentes, você
Serpente e eu lagarto.

Boa noite, boa noite, noite boa.
Giram corpos, ficam marcas.
O tempo passa sem que se perceba
Seu olhar de amante pedinte me inunda e
Eu transbordo "in" você.

Boa noite, noite boa foi
O sol entra pela janela
E meus olhos contemplam
Partes de você que os seus raios revelam
Partes de você não cobertas pelo lençol muito desalinhado.
Boa noite, noite boa foi e se foi
Sussurra em meu ouvido: - Bom dia!
Agora estou pleno de mim
Completado por você.

ZeRo S/A

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

O Que Eu Penso* (1985)

Na corrida de um cão,
Que desesperadamente tenta alcançar os automóveis,
No nado em vão
Das baleias às praias para o suicídio,
Encontramos nessas ações, motivos idiotas e inexplicáveis
Que vem mostrar que a coroa que possuímos faz sentido.
Tão tolos somos nós, por não percebemos,
Que a natureza só nos dá exemplos,
Contudo na nossa estupidez de soberanos,
Todos os seus conselhos ignoramos.
O leão mata a gazela mansa e tranqüila,
A fim de saciar a sua fome e de sua família;
A viúva-negra devora vorazmente após a copulação,
O seu parceiro lúcido e sensato, para que sua espécie tenha sucessão;
E o pássaro é apanhado na armadilha tão ingenuamente,
Por não possuir inteligência que o oriente.
Porem nós homens matamos nosso semelhante apenas por matar,
Traímos nossos parceiros pelo prazer de trair,
Caímos nas armadilhas da publicidade mesmo podendo pensar,
Jovens matam-se pelo vício, alegando o ato de fugir
De algo que apenas eles podem distorcer
E sonhamos com riquezas quando muitas vezes nosso irmão não tem nada para comer.
E em um momento de reflexão,
Explico meu pensamento em uma frase
Que também demonstra os meus sentimentos nesta situação:
Quanto mais conheço os homens, mais,
Muito mais estimo os animais.

*Este é o primeiro poema que fiz e isto ocorreu em 1985.

José Rosa (ZeRo S/A)